O gargalo do Pix no e-commerce não é o Pix. É o redirecionamento.
Com o ITP multiplicando volume por oito em um ano, a disputa por conversão migrou para as jornadas que dispensam o app do banco. Onde o redirecionamento sai do caminho, a conversão vai de 50% a 60% para 95%.
O Relatório de Gestão do Pix 2023-2025, publicado pelo Banco Central em agosto, colocou número em algo que o mercado já sentia: as transações de Pix iniciadas por ITP saíram de 7,4 milhões em 2024 para 64,5 milhões em 2025. O volume financeiro acompanhou, de R$ 3,17 bilhões para R$ 15,3 bilhões no mesmo período.
O crescimento tem uma explicação comercial direta. O varejo vem empurrando o consumidor para o Pix como forma de reduzir o custo de MDR dos cartões, e levantamento da Bain & Company citado pelo Valor Econômico aponta descontos médios de 4% a 5% oferecidos pelas lojas para quem paga por Pix.
Só que o mesmo levantamento expõe o teto dessa jornada. Segundo a consultoria, a conversão em fluxos de iniciação com redirecionamento fica entre 50% e 60%, contra um benchmark de 85% em jornadas que acontecem dentro do próprio aplicativo. Na percepção do usuário, 55% relatam erro ou indisponibilidade em algum ponto do processo e 26% classificam a experiência como complexa, com insatisfação maior no público PJ.
A conta é simples: cada vez que o cliente precisa sair do checkout, abrir o app do banco, autenticar e voltar, o funil perde gente. É o equivalente digital de pedir que o comprador saia da loja, atravesse a rua para pegar a carteira e volte para finalizar a compra. Boa parte não volta.
A jornada sem redirecionamento sai do piloto
A resposta do ecossistema é tirar o redirecionamento do caminho. Na jornada sem redirecionamento, o usuário vincula a conta bancária uma única vez e, a partir daí, autoriza os pagamentos seguintes com a biometria do próprio dispositivo, facial ou digital, sem abrir o aplicativo do banco. A autorização continua sob controle do titular e é sustentada por chave criptográfica vinculada ao aparelho.
É o mesmo princípio que fez o cartão salvo no checkout virar padrão no e-commerce, com a diferença de que aqui o dinheiro sai direto da conta, com liquidação em segundos e sem chargeback.
O Iniciador responde hoje por uma em cada três iniciações de Pix via Open Finance no país e atua em dois modelos: com licença própria e fornecendo tecnologia para 60 instituições autorizadas, entre elas Wise, CloudWalk, Genial, Stone e iFood.
Como funciona na prática: iFood
No iFood, o papel do Iniciador foi viabilizar essa jornada. Depois de vincular a conta bancária na primeira vez, o usuário paga o pedido usando biometria facial ou digital dentro do próprio aplicativo. As etapas de saída do ambiente de compra deixam de existir.
O efeito aparece no funil. Nos pagamentos com biometria operados pelo Iniciador, a conversão média é de 95%. A faixa medida pela Bain nas jornadas com redirecionamento fica entre 50% e 60%, e mesmo o benchmark de jornadas intra-app citado pela consultoria, de 85%, fica abaixo.
Em um checkout com 10 mil tentativas de pagamento por mês, a diferença entre 55% e 95% é de cerca de 4 mil pedidos que deixam de se perder no caminho.
O próximo passo: pagamentos agênticos
A mesma infraestrutura que remove o redirecionamento abre espaço para o que vem depois. Para o CEO do Iniciador, Marcelo Martins, "o Open Finance é a base para a IA" nos setores financeiro e de pagamentos.
Nessa linha, o Iniciador desenvolveu uma solução baseada em MCP (Model Context Protocol) para pagamentos agênticos via Pix, em que assistentes de IA preparam e iniciam a compra enquanto a autorização permanece com o usuário, confirmada por biometria e chave criptográfica vinculada ao dispositivo, com camadas adicionais de segurança.
A leitura do mercado converge: a Associação dos Iniciadores de Transação de Pagamento (Init) aponta a jornada sem redirecionamento como tendência de implementação pelas próprias instituições, habilitando casos como Pix por aproximação em wallets e pagamento com um clique no e-commerce.
Quer ver como fica o seu checkout sem redirecionamento?
Conheça o Pagamento por Biometria do Iniciador e entenda o que muda na conversão da sua jornada de pagamento.
Este conteúdo tem como base a reportagem "Open Finance simplifica o Pix no e-commerce", de Daniela Rocha, publicada no Valor Econômico em 31/08/2026, além de dados do Relatório de Gestão do Pix 2023-2025 (Banco Central).