9 meses vs. 3 dias: o que a história do Guiabolso ensina sobre a evolução do Open Finance

Em 2015, o Bradesco processou o Guiabolso por acessar dados bancários dos próprios clientes, com autorização deles. Anos depois, essa prática virou política pública do Banco Central. Poucas pessoas viveram a construção do Open Finance de dentro para fora como Thiago Alvarez, fundador do Guiabolso. Conversamos sobre a origem do movimento, a batalha regulatória contra o tempo e por que a mesma integração que levou 9 meses no Guiabolso hoje leva 3 dias com o Iniciador.

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Em 2015, o Bradesco processou o Guiabolso por acessar dados bancários — dos próprios clientes, com autorização deles. Anos depois, essa mesma prática virou política pública do Banco Central do Brasil. Poucas pessoas viveram a construção do Open Finance brasileiro de dentro para fora como Thiago Alvarez: antes de existir regulação, antes de existir o termo, ele já estava resolvendo o problema central que o Open Finance viria a endereçar — o dado financeiro é do cliente, não do banco. Conversamos sobre como tudo começou, o que mudou, e o que ainda falta.

A origem: um recurso criado por necessidade

Em 2013, o Guiabolso criou internamente uma conexão automática com bancos, por iniciativa própria do time, sem nenhuma base regulatória por trás. A funcionalidade expandiu para outras instituições e foi lançada em março de 2014.

A reação não demorou. Ainda em 2015, o Bradesco abriu um processo contra o Guiabolso. O caso se estendeu por anos, mas ganhou um argumento decisivo pouco depois: a LGPD, ao entrar em vigor, deu base legal à tese que o Guiabolso já defendia na prática, de que o dado financeiro pertence ao cliente, não à instituição que o guarda.

Construindo a regulação, sob pressão de tempo

Entre 2016 e 2017 aconteceu a primeira reunião com o Banco Central, para apresentar uma operação de crédito digital que dependia desse acesso a dados. Dali saiu uma sugestão que mudaria o rumo do debate: criar a associação ABCD para discutir regulamentação formal.

Uma reunião com o então presidente da Febraban selou um ponto de virada: os bancos decidiram não agir contra o Guiabolso, nem individual, nem coletivamente. A Febraban passou então a apoiar a criação do Open Banking (o atual Open Finance).

A consulta pública do Banco Central, em 2019, foi o primeiro passo formal da regulação. Thiago contribuiu defendendo um escopo amplo de dados e prazos mais curtos de implementação. Na visão dele, não havia meio-termo possível quando o assunto era velocidade: "era vida ou morte, modo guerra total para trazer rápido" a implementação e o benefício para a população brasileira.

Antes da pandemia, foi criado um conselho de governança temporária em que o Thiago Alvarez (representando a Cadeira 2.3 — ABFintechs e ABCD) tinha o mesmo peso de voto que os grandes bancos, com o Banco Central atuando como árbitro do processo. Neste momento, o BACEN enxergou ali uma oportunidade real de gerar valor para o ecossistema e a população, e seguiu adiante.

O que isso mudou para quem usa

O benefício central do Open Finance, na visão de Thiago, é o fim do monopólio informacional que os bancos tinham sobre o histórico financeiro de cada cliente. Antes, trocar de banco significava perder histórico de crédito e relacionamento construído ao longo dos anos. Com portabilidade de dados, a competição entre instituições passou a ser possível de verdade.

Hoje, o caso de uso que ele considera mais relevante é o de pessoa jurídica. Agentes de IA já conseguem fazer conciliação financeira, fechar relatórios e preparar contabilidade a partir do extrato bancário, tirando do empreendedor boa parte do operacional financeiro. Essa relevância tende a crescer com a migração de profissionais de CLT para PJ, que amplia a necessidade de gestão financeira multibanco.

Mas para a inteligência artificial atuar de verdade no mercado financeiro e ajudar a população brasileira, Thiago aponta duas condições. A primeira é dado em tempo real — e o Open Finance entrega isso: a regulação exige tempestividade máxima de 5 minutos na atualização das informações. A segunda é a capacidade de operacionalizar essa inteligência, e é aí que entra a iniciação de pagamento. Com ela, a IA deixa de apenas analisar e passa a executar: mover dinheiro entre contas do próprio usuário, como nas Transferências Inteligentes, ou realizar uma transação para um terceiro (JSR). É a base do que vem sendo chamado de pagamento agêntico.

Nessa jornada, Transferências Inteligentes e portabilidade de salário dão ao usuário o poder de escolher qual banco quer usar como base da sua vida financeira — com a inteligência trabalhando por ele em segundo plano. Para Thiago, a tecnologia de conexão bancária deixou de ser diferencial competitivo. A disputa se deslocou para distribuição, modelo de crédito e cobrança, e para a qualidade do produto, do serviço e da experiência entregues ao cliente.

Onde o Open Finance está hoje

A barreira de entrada para novos players, porém, continua alta. Uma licença de instituição financeira pode custar dezenas de milhões de reais, o que faz com que startups sem autorização própria precisem de parceiros regulados para operar (o modelo de parceria SaaS). Ele vê nesse modelo de parceria o caminho mais assertivo hoje para atender pessoa jurídica e pessoa física empreendedora.

O desejo que ele deixou mais claro na conversa é que o Open Finance não fique restrito ao mercado financeiro (já representa 20% do uso do Open Finance atualmente). Expandir esse modelo de dados abertos para outros ecossistemas é, na visão dele, o que amplia de verdade o valor gerado para a população.

De 9 meses para 3 dias

Um dos pontos mais diretos da conversa foi uma comparação de tempo. O mesmo trabalho de integração de dados bancários que levou 9 meses para ser construído no Guiabolso, na época em que cada conexão precisava ser resolvida do zero, levou 3 dias usando as APIs do Iniciador. É a distância entre construir infraestrutura de Open Finance do zero e usar infraestrutura que já existe, testada e homologada por grandes players.

Se a sua empresa quer percorrer esse caminho em dias, e não em meses, conheça as APIs do Iniciador.

Conversa registrada com Thiago Alvarez, fundador do Guiabolso e precursor do Open Finance no Brasil, para a Newsroom do Iniciador.