A Decade sai do stealth com US$ 85 milhões, e o Open Finance é a porta de entrada do produto
A Decade, fundada pelo ex-CTO do Nubank Vitor Olivier ao lado de Felipe Meneses, anunciou a maior rodada seed já feita na América Latina: US$ 85 milhões, cerca de R$ 440 milhões. A proposta é levar para o brasileiro médio um serviço de gestão financeira parecido com o que multifamily offices e private banks oferecem a clientes de alta renda, usando AI para reduzir custo e ampliar acesso. E toda essa jornada começa com uma conexão de contas via Open Finance.
O que foi anunciado
A rodada foi liderada por gestoras americanas, entre elas Benchmark, Diffusion e Greenoaks, com participação das brasileiras Atlantico e Norte Ventures. O capital entrou em setembro do ano passado, quando a empresa foi fundada, mas só veio a público agora, com o lançamento oficial do produto.
O modelo é de assinatura: R$ 200 por mês para acesso à plataforma, com uma oferta adicional em formato fee based, ainda restrita a convidados, mirando diretamente o território dos MFOs e private banks. Depois de seis meses em beta com poucos clientes, a lista de espera foi aberta.
O diagnóstico que sustenta a tese é conhecido de quem trabalha com serviços financeiros no Brasil: a maior parte da população não tem condições de fazer a própria gestão financeira, e boa parte das instituições que poderiam ajudar opera em modelo de comissão, o que cria um conflito estrutural na hora de recomendar produto. Segundo Olivier, apenas 7% dos brasileiros conseguiriam se aposentar com recursos próprios.
Por que o Open Finance é core, e não acessório
O ponto que interessa a quem constrói produto financeiro está no primeiro passo da jornada. Ao entrar na Decade, antes de qualquer análise, recomendação ou conversa com a AI, o cliente conecta suas contas via Open Finance. É isso que dá à plataforma a visão consolidada de patrimônio e fluxo de caixa.
Sem esse dado, nada do que vem depois funciona. A análise de concentração de carteira por classe de ativo e geografia depende de ver a carteira inteira. A identificação de ineficiências tributárias depende de ver as posições reais. O mapeamento de assinaturas dispensáveis e padrões de gasto depende do extrato, não de uma declaração do usuário. A recomendação de cartão com melhor benefício depende do histórico de consumo. O chat de AI que simula portfólio e planejamento só é útil se estiver simulando sobre a realidade daquela pessoa.
É uma inversão relevante em relação à geração anterior de produtos de finanças pessoais, em que a agregação de dados era uma funcionalidade dentro do app. Na Decade, a agregação é a condição de existência do produto. A AI é a camada de inteligência, e o Open Finance é a camada de verdade sobre a qual ela raciocina.
Isso muda o peso da conexão de contas dentro do funil. Se a jornada de conexão trava, o produto não entrega valor nenhum. Não é uma etapa de onboarding: é o produto começando.
A experiência de conexão de contas
Vale ver como isso se traduz na prática. O vídeo abaixo mostra o fluxo de conexão de contas dentro da Decade, do consentimento à visão consolidada.
A infraestrutura por trás
A infraestrutura de Open Finance que sustenta essa conexão de contas é do Iniciador.
Trabalhamos com a Decade na camada que faz a jornada de consentimento e o acesso aos dados acontecerem de forma consistente entre as diferentes instituições detentoras. É a parte que o usuário final não precisa enxergar, e que o time da Decade não precisa construir para poder focar no que é produto.
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